Os termos políticos têm uma longevidade surpreendente. Há décadas que falamos de esquerda e direita, de conservador e progressista, de liberal, social ou ecológico. As palavras mantiveram-se, em grande parte, as mesmas. Mas será que o mesmo se aplica às posições políticas que se escondem por trás delas?
Foi precisamente esta questão que serviu de ponto de partida para esta comparação. O que me interessa menos é a forma como os partidos descrevem hoje a sua própria história ou como os desenvolvimentos políticos são enquadrados numa perspetiva retrospectiva. Parece-me muito mais interessante um método mais simples: basta pegar nos programas eleitorais de várias décadas e colocá-los lado a lado.
O que é que a CDU/CSU defendia, de facto, em 1983? O que é que o SPD escrevia na altura sobre economia, família, defesa ou asilo? Que ideias tinham os Verdes, na sua primeira campanha eleitoral para o Bundestag, sobre a NATO, a Bundeswehr e o abastecimento energético? O que defendia o FDP? E o que é que ainda se reflete disso nos programas de 1990 e, por fim, de 2025? Nesse contexto, podem tornar-se visíveis mudanças interessantes. Mas quais são essas mudanças não deve ficar definido logo no início deste artigo.