Há anos que reparo na frequência com que os políticos e os meios de comunicação social falam de um „ordem mundial baseada em regras“ está a ser discutido. O atual conflito entre os EUA e a Venezuela trouxe de novo esta questão para a ribalta. No passado, este termo quase nunca aparecia, mas hoje parece quase um reflexo padrão: se algo acontece algures, rapidamente se diz que temos de „defender as regras“. Ao mesmo tempo, fiquei com a impressão de que as mesmas pessoas que se referem a estas regras, muitas vezes, já não se sentem coerentemente obrigadas a cumpri-las em caso de dúvida. Foi precisamente esta contradição que me intrigou.
Além disso, quanto mais vezes se ouvem estes termos, mais vagos eles parecem. „Baseado em regras“ parece claro, mas muitas vezes permanece vago. E „direito internacional“ é muitas vezes utilizado como um selo moral de aprovação, embora seja de facto um quadro jurídico - com condições, limites e lacunas. Decidi, por isso, debruçar-me mais de perto sobre este tema. Não como jurista, mas como alguém que quer compreender o que foi esta ordem no seu âmago - e qual a sua verdadeira força.